"Só aí a pessoa começa a sentir dor, justamente por causa dessas terminações nervosas", conta Azevedo. O processo de corrosão até camadas cada vez mais profundas do dente pode ser dificultado por moléculas de flúor. "Os cristais na superfície do dente humano contêm moléculas de carbono e magnésio, substâncias dissolvidas facilmente pelos ácidos. O flúor substitui essas partículas e ainda ajuda o esmalte a roubar para si moléculas de cálcio e fosfato, presentes na saliva. O resultado dessas reações é um esmalte muito menos vulnerável".
Que o flúor ajuda a evitar cárie, isso ninguém duvida. Nos últimos anos, porém, os cientistas encontraram evidências de que a substância também é capaz de reverter o problema em crianças, cujo esmalte possui uma capacidade maior de absorção de suas moléculas, em relação aos dentes dos adultos. "Aplicamos doses concentradas de flúor exatamente sobre os pontos brancos opacos, que costumam ser a marca registrada do princípio de uma cárie", ensina Azevedo. "Isso, às vezes, serve de estímulo para o dente produzir novos prismas e cobrir o rombo da cárie." Na realidade, quando o dente começa a ser destruído, é sinal de que a saliva perdeu sua batalha contra as bactérias. A saliva alcalina neutraliza os ácidos despejados pelos microorganismos - é o chamado efeito tampão.